quarta-feira, 3 de junho de 2009
Onde está a fé em Deus?
É engraçado como a sociedade insiste em nos julgar por atos que ela considera imoral. Como posso culpar alguém que roubou um pacote de arroz para conseguir sustentar os próprios filhos? Como posso julgar alguém que encontrou na marginalidade uma forma de sobreviver? Não posso. Principalmente por fazer parte e ser culpado de tudo isso que acontece no planeta. São hipócritas aqueles que tomam à frente e atiram a primeira pedra. Disse Dostoiévski, numa passagem de Os irmãos Karamazov sob a voz do monge Zósima, personagem do romance: "Lembra-te de que não podes ser o juiz de ninguém. Porque antes de julgar um criminoso, deve o juiz saber que é ele próprio tão criminoso quanto o acusado, e talvez mais que todos culpado do crime dele. Quando tiver compreendido isto, poderá ser juiz. Por mais absurdo que isto pareça, é verdade. Porque se eu mesmo fosse um justo, talvez não houvesse diante de mim um criminoso." Por isso trato com certa frieza o que falam de mim. Não dou a mínima para alguém que me olha na rua e por me ver com o cabelo despenteado, com a barba mal feita ou então com uma roupa que não combina, se julgar superior. Dou meus próprios passos e tenho minha personalidade formada, sem medo de ser condenado por algum bandido qualquer que se julgue inocente. As pessoas se preocupam demais com cada passo que o outro vai dar, mas se esquecem que elas mesmas não têm forças para sair do próprio lugar. Como posso reclamar de alguém que mesmo com defeitos dá seus passos e suas cabeçadas, se nem mesmo consigo sair do lugar? Não posso. Uma outra visão de Dostoiévski bate muito numa tecla que serei obrigado a concordar e reforçar aqui. Ao invés de procurarmos repreender um crime, temos que mostrar à pessoa a importância de Deus em nossas vidas. Se conseguirmos transmitir essa fé, então não vamos precisar condenar ninguém à morte, tão pouco enjaular um ser humano, pois a própria pessoa se condenaria por ter agredido as normas impostas pelo nosso criador. Sem discutir o mérito da existência ou não de Deus, mas se as pessoas passarem a acreditar nele e naquilo que a Bíblia prega, então elas mesmo se autopunirão quando cometerem algum delito. Esse mesmo monge Zósima, nos diz que somos nós culpados pela falha dos outros. "Aceita esse castigo e suporta-o, teu coração se acalmará, compreenderás que tu também és culpado, porque terias podido esclarecer os celerados mesmo na qualidade de único justo, e não o fizeste. Esclarecendo-os, ter-lhes-ia mostrado um outro caminho, e o autor do crime não o teria talvez cometido, graças à luz." A falta de fé em nós mesmos, não permite que consigamos transmitir isso para outras pessoas. E assim se perde a fé geração, após geração. E assim encontramos a fórmula para o mundo se autodestruir. A fé repreende o avanço da marginalidade. Sem ela, o nosso cotidiano ganha a cada dia novos capítulos de brutalidade e acontecimentos hediondos.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Filosofando...
Estava lendo um artigo do Freud e um do Jaques Pierre Rousseau que ia em contrapartida aos pensamentos freudianos. Então depois que acabei de ler comecei a filosofar um pouco sobre quando realmente atingimos o momento de felicidade absoluta. E sinceramente, acredito que só conseguimos atingi-la no momento em que seguimos os nossos próprios instintos.
Não que o que eu vá escrever nas próximas linhas seja uma opinião formada e tão pouco a verdade absoluta e estabelecida dos fatos. Mas por ter passado a pouco tempo por uma situação dessas em que fui tomado completamente pela ação sem pensar em causa, consequência, acredito demais nessa hipótese. Enfim, vamos filosofar um pouco:
"Somos felizes quando seguimos os nossos mais puros instintos. Nesse momento fazemos aquilo que a nossa própria essência deseja e somos tomados por uma onda de prazer que nos remete a felicidade. Mas, quando deixamos nosso lado sensorial de lado e nos controlamos, a ponto de lembrarmos-nos que somos cabeças pensantes, sofremos uma pressão sobre os valores impostos pela sociedade. Esse é o exato ponto em que somos tomados pela tristeza porque passamos a aceitar aquilo que nem sempre acreditamos ser o certo."
Não que o que eu vá escrever nas próximas linhas seja uma opinião formada e tão pouco a verdade absoluta e estabelecida dos fatos. Mas por ter passado a pouco tempo por uma situação dessas em que fui tomado completamente pela ação sem pensar em causa, consequência, acredito demais nessa hipótese. Enfim, vamos filosofar um pouco:
"Somos felizes quando seguimos os nossos mais puros instintos. Nesse momento fazemos aquilo que a nossa própria essência deseja e somos tomados por uma onda de prazer que nos remete a felicidade. Mas, quando deixamos nosso lado sensorial de lado e nos controlamos, a ponto de lembrarmos-nos que somos cabeças pensantes, sofremos uma pressão sobre os valores impostos pela sociedade. Esse é o exato ponto em que somos tomados pela tristeza porque passamos a aceitar aquilo que nem sempre acreditamos ser o certo."
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Guerra de pensamentos
Você já se viu em algum momento brigando com os seus próprios pensamentos? Já começou a pensar em alguém especial e justamente nessa hora por algum motivo sua cabeça começou a te encher de perguntas sobre aquela pessoa? E então você entra em um dilema sem fim pra saber qual postura tomar? Pois bem, é exatamente o que tentei retratar no texto Guerra de pensamentos. Alguma coisa me faz pensar em você. É mais forte que a minha vontade. Tento levar minha cabeça para outros horizontes, mas sempre me vejo retornar ao mesmo lugar. Penso em seus braços, lembro de seus lábios e finjo estar na sua presença. Sim, sua presença me conforta mesmo que apenas nas lembranças. Ah, doce lembrança. É ela mesma que me confunde e me mostra uma paixão que eu insisto em não aceitar! Não, eu não posso me entregar a esse sentimento. Mas então por vezes me pergunto: Por que quero tanto fugir? E por vezes vejo um ponto de interrogação percorrer o meu destino. Mais uma vez as dúvidas pairam no ar. E se eu arriscar? Não sei, tenho medo! E como se vence isso? Apenas com a pessoa que te inspire confiança. Devo dar as mãos a essa pessoa que tanto prezo e dessa forma encarar o meu medo de amar? Bem, não sei, parece arriscado, não posso errar de novo. Já sofri tanto. Não quero, não devo. Mas o que custa tentar? Esse é o melhor caminho, não? Fugir me trará apenas a dúvida de como seria se tivesse tentado. É. Sei que me culparia se te perdesse. Pelo pouco que me conheço, em diversos momentos da vida, estaria me culpando por desperdiçar a chance de viver junto de uma pessoa, que quem sabe, poderia ser o grande amor da minha vida. Como podem ver, meus pensamentos tomam a liberdade de perguntar e responder, ora tiram dúvidas e jogam a favor, ora colocam empecilhos e me mostram que um novo fracasso seria o fim. Pois vivo com essa dúvida, uma dúvida que apenas o verdadeiro amor será capaz de ultrapassar barreiras e sanar questões ainda não respondidas. Se houver tal sentimento, então certamente ele será capaz de me tomar. A resposta pra todas as dúvidas? Bom, só o tempo as trará, mas até lá, vivo com as minhas incertezas e memórias.
sexta-feira, 27 de março de 2009
As lágrimas de um Doutor
Sempre me mantive neutro na famosa e interminável discussão entre alguns cursos em que quem se gradua passa automaticamente a ser chamado de Doutor e os verdadeiros Doutores. Por não ter base nenhuma para levar esse tema adiante e apresentar argumentos que servissem como exemplos sempre observei as brigas a uma longa distância.
Mas ontem tive a absoluta certeza da diferença, da grande diferença que existe entre um e outro. Minha irmã, até então Mestre em Medicina Veterinária, defendeu sua tese de doutorado e como sempre esteve em um dia brilhante.
Dominava muito bem o assunto e inovou ao escolher o tema e também na maneira como desenvolveu seu trabalho. Isso a torna pioneira e abre espaço para que futuros doutores confirmem ou desmintam todas as suas conclusões.
No entanto, para chegar na manhã de ontem de maneira esplêndida e se tornar alguém ainda mais qualificada, ela teve que penar, batalhar, suar durante três anos. Parece pouco? Só para constatar é mais da metade de uma faculdade de Direito.
E como podem chamar alguém que só estudou cinco anos de Doutor? Minha irmã pra conseguir esse título estudou mais que o dobro disso! Foram exatos 11 anos (Cinco para se graduar, três de mestrado e mais três do doutorado).
Em suas considerações finais, uma leve engasgada, um filme passando pela cabeça trazendo a tona as lembranças de um longo caminho percorrido, do trabalho árduo que a fez ficar distante da família e das pessoas por quem aprendeu a ter um enorme carinho. Muitas dificuldades e alguns sacrifícios que não foram em vão e acabaram nas lágrimas derramadas por quem agora por direito merece ser chamada de Doutora.
Parabéns Maninha, esse título já é seu!
Mas ontem tive a absoluta certeza da diferença, da grande diferença que existe entre um e outro. Minha irmã, até então Mestre em Medicina Veterinária, defendeu sua tese de doutorado e como sempre esteve em um dia brilhante.
Dominava muito bem o assunto e inovou ao escolher o tema e também na maneira como desenvolveu seu trabalho. Isso a torna pioneira e abre espaço para que futuros doutores confirmem ou desmintam todas as suas conclusões.
No entanto, para chegar na manhã de ontem de maneira esplêndida e se tornar alguém ainda mais qualificada, ela teve que penar, batalhar, suar durante três anos. Parece pouco? Só para constatar é mais da metade de uma faculdade de Direito.
E como podem chamar alguém que só estudou cinco anos de Doutor? Minha irmã pra conseguir esse título estudou mais que o dobro disso! Foram exatos 11 anos (Cinco para se graduar, três de mestrado e mais três do doutorado).
Em suas considerações finais, uma leve engasgada, um filme passando pela cabeça trazendo a tona as lembranças de um longo caminho percorrido, do trabalho árduo que a fez ficar distante da família e das pessoas por quem aprendeu a ter um enorme carinho. Muitas dificuldades e alguns sacrifícios que não foram em vão e acabaram nas lágrimas derramadas por quem agora por direito merece ser chamada de Doutora.
Parabéns Maninha, esse título já é seu!
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Feliz aniversário minha rainha...
Existem milhares de pessoas importantes nas nossas vidas. Mas existem algumas que não podem nos faltar, essas a gente reconhece o valor e admite que são imprescindíveis. Nessa leva de pessoas essenciais, uma figura importantíssima, senão a mais imponente, é a da mãe. É ela que forma a personalidade do que seu filho será.
Ou ela estraga ou faz uma obra sensacional com a sua cria. Não sei ao certo se sou uma pessoa extraordinária, mas sei do meu potencial e sei do meu valor. Não faço a menor idéia do que a vida irá me reservar, mas por ter tido você como professora sei que nunca farei nada de errado seja lá qual a dificuldade que eu esteja enfrentando. Existem princípios que dignificam o homem e eu tenho que ser eternamente grato por poder aprender aquilo que eu deveria ser e como eu deveria me portar em relação ao próximo.
Meus passos serão sempre dados com honestidade, assim como os seus foram sempre trilhados da melhor maneira possível. Particularmente você é alguém formidável, com um caráter e uma bondade incomum, que encara os problemas que a vida lhe traz de uma força sobrenatural. Nunca deixa transparecer suas aflições e seja lá o que for que lhe incomoda, está alegre e pronta para sorrir e fazer novas amizades.
Quem não te adora? Quem não passa a amar você? Com quem você não pára meia hora pra conversar que não se torna a sua fã? Exemplos existem milhares! Se todas as pessoas fossem iguais a você, não estaríamos em desgraça nesse mundo.
Não importa se hoje nossos caminhos espirituais são diferentes, se nossas crenças já não são mais as mesmas, o que realmente importa é que na nossa relação sempre existirá confiança e o mais importante de tudo, muito amor. Esse é o sentimento que me domina e que é capaz de unir qualquer filosofia. Você é minha rainha!
Te amo muito, tá?
Feliz aniversário!
Ou ela estraga ou faz uma obra sensacional com a sua cria. Não sei ao certo se sou uma pessoa extraordinária, mas sei do meu potencial e sei do meu valor. Não faço a menor idéia do que a vida irá me reservar, mas por ter tido você como professora sei que nunca farei nada de errado seja lá qual a dificuldade que eu esteja enfrentando. Existem princípios que dignificam o homem e eu tenho que ser eternamente grato por poder aprender aquilo que eu deveria ser e como eu deveria me portar em relação ao próximo.
Meus passos serão sempre dados com honestidade, assim como os seus foram sempre trilhados da melhor maneira possível. Particularmente você é alguém formidável, com um caráter e uma bondade incomum, que encara os problemas que a vida lhe traz de uma força sobrenatural. Nunca deixa transparecer suas aflições e seja lá o que for que lhe incomoda, está alegre e pronta para sorrir e fazer novas amizades.
Quem não te adora? Quem não passa a amar você? Com quem você não pára meia hora pra conversar que não se torna a sua fã? Exemplos existem milhares! Se todas as pessoas fossem iguais a você, não estaríamos em desgraça nesse mundo.
Não importa se hoje nossos caminhos espirituais são diferentes, se nossas crenças já não são mais as mesmas, o que realmente importa é que na nossa relação sempre existirá confiança e o mais importante de tudo, muito amor. Esse é o sentimento que me domina e que é capaz de unir qualquer filosofia. Você é minha rainha!
Te amo muito, tá?
Feliz aniversário!
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Abre o olho Obama
Os americanos estão de parabéns. Embora exista um preconceito enorme dos brancos contra os negros naquela terra (e isso é histórico), eles se esforçam a cada dia para mudarem os seus próprios valores. E essa mudança é louvável, digna de um país que esta na frente dos demais. Imaginem a China elegendo um tibetano ou a França um mulçumano de origem argelina. Complicou, né? Fica difícil prever se isso um dia irá se concretizar.
Também era complicado afirmar que os americanos colocariam à frente de seu país um negro. Mas eles realizaram está façanha. Mostraram isso quando foram as urnas e fizeram do democrata Barack Obama o 44º Presidente dos Estados Unidos.
Haja democracia!
Em relação ao novo eleito? Bem, ele demonstrou ser um pacifista e deve ter aprendido muitas lições com o líder ativista dos direitos civis Martin Luther King Jr (defensor das mulheres e dos negros). Tudo bem que durante toda a sua campanha ele tentou omitir ao máximo sobre a cor de sua pele. Talvez para não perder popularidade entre os brancos.
Mas com sinceridade, acredito que no fundo, no fundo, os ideais dele são os mesmos que o dos Kings pai e filho, não existe branco ou negro, existe ser humano. E é ai que eu acredito que finalmente a América ganhou alguém que poderá ajudar o mundo.
O cara é uma pessoa de bem, mas lógico que em primeiro lugar irá defender os interesses do seu país, apesar que tenho certeza que ajudará outros irmãos a crescerem. É fato que político engana muito bem e que promessas de campanha não devem ser levadas lá muito a sério, mas estou com pressentimento positivo e levo fé nesse cara.
Algo me preocupa. Apesar da maioria ter o escolhido, é bom que ele ande esperto, afinal, já houveram manifestações racistas após a sua eleição e eu não dúvido nada que apareça um branquelo maluco querendo matá-lo. Só pra lembrar, quatro presidentes já foram assassinados durante o exercício de seu mandato. Abraham Lincoln e John F. Kennedy são os casos mais famosos, mas os presidentes James Garfield e William McKinle também sofreram atentados que resultaram em suas mortes, ou seja, alguns presidentes eleitos já foram para o saco preto por causa de cidadãos indignados.
Acredito que seja difícil acontecer algo, a segurança em torno dele será muito grande. Mas vale lembrar que nem todos os americanos evoluiram e é ai que o presidente corre um certo risco e tem que ficar esperto. Abre o olho Obama!
Também era complicado afirmar que os americanos colocariam à frente de seu país um negro. Mas eles realizaram está façanha. Mostraram isso quando foram as urnas e fizeram do democrata Barack Obama o 44º Presidente dos Estados Unidos.
Haja democracia!
Em relação ao novo eleito? Bem, ele demonstrou ser um pacifista e deve ter aprendido muitas lições com o líder ativista dos direitos civis Martin Luther King Jr (defensor das mulheres e dos negros). Tudo bem que durante toda a sua campanha ele tentou omitir ao máximo sobre a cor de sua pele. Talvez para não perder popularidade entre os brancos.
Mas com sinceridade, acredito que no fundo, no fundo, os ideais dele são os mesmos que o dos Kings pai e filho, não existe branco ou negro, existe ser humano. E é ai que eu acredito que finalmente a América ganhou alguém que poderá ajudar o mundo.
O cara é uma pessoa de bem, mas lógico que em primeiro lugar irá defender os interesses do seu país, apesar que tenho certeza que ajudará outros irmãos a crescerem. É fato que político engana muito bem e que promessas de campanha não devem ser levadas lá muito a sério, mas estou com pressentimento positivo e levo fé nesse cara.
Algo me preocupa. Apesar da maioria ter o escolhido, é bom que ele ande esperto, afinal, já houveram manifestações racistas após a sua eleição e eu não dúvido nada que apareça um branquelo maluco querendo matá-lo. Só pra lembrar, quatro presidentes já foram assassinados durante o exercício de seu mandato. Abraham Lincoln e John F. Kennedy são os casos mais famosos, mas os presidentes James Garfield e William McKinle também sofreram atentados que resultaram em suas mortes, ou seja, alguns presidentes eleitos já foram para o saco preto por causa de cidadãos indignados.
Acredito que seja difícil acontecer algo, a segurança em torno dele será muito grande. Mas vale lembrar que nem todos os americanos evoluiram e é ai que o presidente corre um certo risco e tem que ficar esperto. Abre o olho Obama!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
O 'não' de Eloá
Este Artigo pertence a DRª Maria Isabel Alves, professora de Psicologia. Foi publicado em uma coluna de algum jornal do Rio. Chegou no meu e-mail e acho que serve pra que as pessoas parem e pensem um pouquinho até que ponto um 'NÃO' influencia de forma positiva ou negativa na sua vida. Também repense muito antes de tomar qualquer atitude quando as respostas para algo que você quer muito não sejam tão favoráveis e positivas.
Alguém denominou esse texto como O NÃO DE ELOÁ, um título mais pensado e inteligente do que o do próprio artigo, embora o texto esteja muito bom. Por isso partilharei com vocês nas próximas linhas. Boa leitura!
Criando um Monstro
O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... nada?
Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: " ela NÃO quis falar comigo '.
A garota disse NÃO, NÃO quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, NÃO aceitou um NÃO. Seu desejo era mais importante.
NÃO quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto NÃO conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o NÃO da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros NÃOS nessa história toda:
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19; faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha; faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida; faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá; faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador converssasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO.
Pelo jeito, a única que disse NÃO nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de NÃOS. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer NÃO às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer NÃO aos maridos (e alguns maridos, temem dizer NÃO às esposas). Pessoas têm medo de dizer NÃO aos amigos. Noras que NÃO conseguem dizer NÃO às sogras. Chefes que NÃO dizem NÃO aos subordinados. Gente que NÃO consegue dizer NÃO aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns NÃO cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um NÃO, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, 'NÃO posso traumatizar meu filho'. E NÃO é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que NÃO têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: NÃO, você NÃO pode bater no seu amiguinho. NÃO, você NÃO vai assistir a uma novela feita para adultos. NÃO, você NÃO vai fumar maconha enquanto for contra a lei. NÃO, você NÃO vai passar a madrugada na rua. NÃO, você NÃO vai dirigir sem carteira de habilitação. NÃO, você NÃO vai beber uma cervejinha enquanto NÃO fizer 18 anos. NÃO, essas pessoas NÃO são companhias pra você. NÃO, hoje você NÃO vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. NÃO, aqui NÃO é lugar para você ficar. NÃO, você NÃO vai faltar na escola sem estar doente. NÃO, essa conversa NÃO é pra você se meter. NÃO, com isto você NÃO vai brincar. NÃO, hoje você está de castigo e NÃO vai brincar no parque.
Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes " NÃOS" , crescem sem saber que o mundo " NÃO é só deles". E aí, no primeiro NÃO que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam; usam drogas. compram armas. transam sem camisinha, batem em professores, furam o pneu do carro do chefe, chutam e queimam mendigos e prostitutas nas ruas e outras coisas piores que vemos por aí....
PS: Só pra contextualizar. Se alguém aqui não sabe quem é Eloá, trata-se de uma menina de 15 anos sequestrada pelo ex-namorado por conta de um rompimento de relacionamento. O sequestro durou dias e terminou de forma trágica com a morte da menina e com a sua melhor amiga tomando um tiro no rosto. É isso.
Abraços e até a próxima...
Alguém denominou esse texto como O NÃO DE ELOÁ, um título mais pensado e inteligente do que o do próprio artigo, embora o texto esteja muito bom. Por isso partilharei com vocês nas próximas linhas. Boa leitura!
Criando um Monstro
O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... nada?
Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: " ela NÃO quis falar comigo '.
A garota disse NÃO, NÃO quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, NÃO aceitou um NÃO. Seu desejo era mais importante.
NÃO quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto NÃO conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o NÃO da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros NÃOS nessa história toda:
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19; faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha; faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida; faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá; faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador converssasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO.
Pelo jeito, a única que disse NÃO nessa história foi punida com uma bala na cabeça. O mundo está carente de NÃOS. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer NÃO às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer NÃO aos maridos (e alguns maridos, temem dizer NÃO às esposas). Pessoas têm medo de dizer NÃO aos amigos. Noras que NÃO conseguem dizer NÃO às sogras. Chefes que NÃO dizem NÃO aos subordinados. Gente que NÃO consegue dizer NÃO aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns NÃO cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um NÃO, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal. Os pais dizem, 'NÃO posso traumatizar meu filho'. E NÃO é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que NÃO têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer: NÃO, você NÃO pode bater no seu amiguinho. NÃO, você NÃO vai assistir a uma novela feita para adultos. NÃO, você NÃO vai fumar maconha enquanto for contra a lei. NÃO, você NÃO vai passar a madrugada na rua. NÃO, você NÃO vai dirigir sem carteira de habilitação. NÃO, você NÃO vai beber uma cervejinha enquanto NÃO fizer 18 anos. NÃO, essas pessoas NÃO são companhias pra você. NÃO, hoje você NÃO vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. NÃO, aqui NÃO é lugar para você ficar. NÃO, você NÃO vai faltar na escola sem estar doente. NÃO, essa conversa NÃO é pra você se meter. NÃO, com isto você NÃO vai brincar. NÃO, hoje você está de castigo e NÃO vai brincar no parque.
Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes " NÃOS" , crescem sem saber que o mundo " NÃO é só deles". E aí, no primeiro NÃO que a vida dá (e a vida dá muitos) surtam; usam drogas. compram armas. transam sem camisinha, batem em professores, furam o pneu do carro do chefe, chutam e queimam mendigos e prostitutas nas ruas e outras coisas piores que vemos por aí....
PS: Só pra contextualizar. Se alguém aqui não sabe quem é Eloá, trata-se de uma menina de 15 anos sequestrada pelo ex-namorado por conta de um rompimento de relacionamento. O sequestro durou dias e terminou de forma trágica com a morte da menina e com a sua melhor amiga tomando um tiro no rosto. É isso.
Abraços e até a próxima...
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